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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ou Tudo ou Nada (The Full Monty) - 1997; uma comédia dramática ousada

Ou tudo ou nada (The Full Monty), lançado em 1997.
Um filme de Peter Cattaneo.
É certo que é um filme mais de sorrisos que de gargalhadas, mas não deixa de ser divertido e ousado, principalmente para a época de seu lançamento. Mas não é só comédia.

O filme que concorreu à estatueta junto a Titanic, também aborda temas como desemprego, desestruturação familiar,  direito paterno, disfunção erétil, obesidade, crise de baixa auto-estima, depressão, suicídio e homossexualidade. Vale elogiar a trilha sonora, uma série de sucessos musicais brilhantemente selecionadas, combinando com cada cena das quais participam.

A história se ambienta em Sheffield, cidade inglesa conhecida e enrriquecida pela siderurgia que já não é mais uma referência, e que pelo fechamento das fábricas passou a sofrer com altas taxas de desemprego.
É Gary, um ex-operário e ex-presidiário - cujo filho é desiludido com o pai que tem - que ao ver um clube de strippers masculinos fazendo sucesso, decide arrumar alguns amigos desempregados - todos "normais", sem físicos sarados ou grande talento para a dança - para formarem um grupo de strippers e tentarem ganhar dinheiro. O filho de Gary os ajuda, mesmo desacreditanto no pai no início. Cada personagem tem suas frustrações, como o desempregado que esconde sua desocupação da esposa; outro dançarino que tem disfunção erétil e sofre por ser gordo; Gary que quase não pode encontrar com o filho; o aspirante a stripper que tenta se suicidar e que por fim descobrimos ser gay; e a unanimidade: todos abalados por estarem sem emprego. 

Mas tudo isso em meio a uma trilha divertida e dançante, e cenas cômicas e incrivelmente ridículas, cheias
de vergonha alheia.

#ficaadica

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A Praia (The Beach) - 2000; frio-morno

A Praia (The Beach), lançado em 2000.
Um filme de Danny Boyle.
Do mesmo diretor de Quem quer ser um milionário? e 127 Horas, esse daqui não acompanha a qualidade dos outros trabalhos do diretor. Nem público e muito menos crítica engoliram essa produção.

É certo que o filme possui imagens lindas: paisagens belíssimas (embora artificialmente manipuladas) e atrizes e atores belos semi-nus. Mas é pouco mais que isso.
O filme tenta, sem sucesso, mesclar drama, ação, aventura e suspense; acabando por não ser coisa alguma.
É baseado num best-seller (que para todos os efeitos, eu nunca li). A histórica afirmação de que um filme não supera o livro no qual se baseia se reafirma. Na verdade até hoje só um filme me agradou mais que o próprio livro: Desejo e Reparação.

Richard (DiCaprio) é um estudante norte-americano em visita à Tailândia. Lá um drogado estranho lhe fala sobre uma ilha paradisíaca e secreta, onde não há turistas e oferece "uma programação" diferente do convencional. Junto a um casal de surfistas que ele conhece, ele segue um mapa que o homem lhe dá antes de se suicidar. Eles vão à nado até lá e são atacados pelos donos de uma plantação de maconha, precisando saltar de uma cachoeira para sobreviverem. Finalmente encontram a comunidade da praia a passam a se integrarem ao grupo. Ocorre um romance, um jogo de intrigas, descobertas de traições, feitos heróicos, chantagem sexual, um acidente envolvendo tubarões. Mas os habitantes são todos alienados, loucos por manter a ilha em segredo. Richard enlouquece, pensando estar em um jogo de video-game. Mas sua vida e a de muitas outras pessoas estão em risco.


DiCaprio, em sua fama pós-Titanic, parece não se empenhar muito no filme, fazendo uma atuação realmente ruim. E as paisagens são tão bonitas, tão perfeitas, tão improváveis, que beiram o absurdo e a surrealidade.

O enredo que levanta questões como o individualismo, a vida em sociedade, a criação de um vínculo social, a utopia poderia ter sido melhor trabalhado e rendido um filme bom, mas não rendeu.