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sábado, 3 de maio de 2014

A Dama de Ferro (The Iron Lady) - 2011; só a atriz que vale a pena

A Dama de Ferro (The Iron Lady), lançado em 2011.
Um filme de Phyllida Lloyd.
Um dos mais aclamados trabalhos de Meryl Streep, A dama de ferro conta a história de Margaret Thatcher, a primeira mulher da história do Reino Unido a se tornar primeira-ministra, cargo que ocupou por uma década. Indo - muito - além da carreira política da mulher, lembrada por ser quem estava no poder durante a Guerra das Malvinas, o filme explora a intimidade de Thatcher e seu lado mais sensível. Streep levou outro Oscar para sua estante, mas num apanhado geral, tirando o trabalho épico da atriz, o filme é bem fraco. Veja-o só para vê-la.

Uma velha debilitada começa a relembrar de seu passado e do falecido marido. Sabemos então que ele é Margaret Thatcher. Principalmente por meio desses flash backs (e algumas alucinações) é mostrada a vida de Thatcher. Sua entrada e permanência na política e sua relação com o marido e com os filhos.

Streep brilha como a estrela que sempre foi. Aqui ela se joga num papel complexo, que poucas atrizes seriam capazes de dar conta do recado, e surpreende pela qualidade. Thatcher, ao menos em público, foi uma mulher forte e conservadora, que impôs sua presença num cenário essencialmente masculino e conseguiu se tornar a mulher mais poderosa da década de 80. Meryl, então, precisa adquirir uma postura autoritária, um tanto masculina, e impor sua voz. A atriz, como sempre, imita muito bem o sotaque de sua personagem, e deixa a voz num tom mais autoritário. A própria Margaret, como retratado no filme, teve ajuda de fonoaudiólogos.
Thatcher foi uma mulher polêmica sobretudo pelas suas medidas políticas, muitas antipopulares. Em seu governo, para tirar o país de uma recessão, ela precisou comandar uma guerra e presenciou um sem número de greves e protestos. Mas manteve-se firme. E o plano econômico deu certo.

Porém Lloyd prefere deixar a carreira da mulher em segundo plano e se entreter na sua vida pessoal, principalmente sua decadência física e intelectual trazida pela velhice. Indo e voltando no tempo a todo o instante, mostrando a infância pobre e a velhice, numa série de clichês e cenas pretensiosas ou improváveis, como a ministra ordenando um ataque à Argentina. Não sabemos muito bem como ela chegou a poder, com que promessas, com qual apoio. Também o modo como Thatcher é retratada oscila, ora é uma vaca derrotada, mesquinha e louca, ora é a salvadora da pátria, ora é uma vítima sofrendo por ter feito o que devia ainda que fosse impopular. O que nos emociona é ver como Streep é competente, não a personagem em si. Assim o contexto político-social do Reino Unido durante seu governo, não é bem retratado no longa. Isso acaba, infelizmente, por ofuscar a importância ou o impacto das decisões do governo. No final aprendemos pouco de quem foi Thatcher.
O roteiro ainda trás Jim Broadbent como uma aparição do falecido marido da ex-ministra. Uma bobagem.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Gangues de Nova York (Gangs of New York) - 2002; sanguinário e sujo

Gangues de Nova York (Gangs of New York), lançado em 2002.
Um filme de Martin Scorsese.
Talvez esse seja o filme mais desagradável de Scorsese, e uso a palavra não para dizer que é um filme ruim, pelo contrário, gostei muito, mas sim por ser um filme violento e sujo, pesado. Em suma, não recomendável para crianças. Talvez seja o mais sanguinário e "feio" filme que já vi.
Desta vez o tema é a cidade de NY por volta de 1860, às vésperas da Guerra Civil e durante a chegada de milhares de irlandeses ao país, onde conflitos étnicos e ideológicos manchavam a cidade de sangue.

Estamos em 1846, numa região de New York chamada de "Cinco pontas", é uma região pobre da cidade. E numa cidade dominada por facções, duas delas entram em conflito: os "Coelhos Mortos", grupo de irlandeses católicos comandados por Pe. Vallon (Liam Neeson), pai de Amsterdam (DiCaprio), e os nativistas, liderados por Bill, o açougueiro (Day-Lewis). Numa sangrenta batalha Amsterdam fica órfão, e o Pe. é enterrado com alguma honra, por ser considerado por Bill como o último homem honrado da cidade.
Já em 1862 Amsterdam volta a Cinco Pontas com anseios de vingança, e descobre Bill como um poderoso homem na região, que recebe partes dos lucros de toda a gente, e por toda a gente é temido. Então ele se "enturma" com Bill adquirindo sua confiança, enquanto ainda se apaixona por uma vigarista que também é protegida do Açougueiro. É preciso que uma tentativa de homicídio dê errada e Bill descubra quem é Amsterdam, para que finalmente os dois homens declarem guerra. Mas paralelo a isso temos ainda mudanças na política e uma iminente guerra civil por todo o país, deixando o clima mais tenso e eventuais confrontos ainda mais brutais.

Gangues de Nova York é mais um bom filme de Scorsese, um legítimo Scorsese, mas não o melhor filme do diretor. A narrativa muitas vezes fragmentada é um tanto confusa, deixando um pouco difícil de acompanhar, e alguma cenas chegam a ser monótonas. Mas os defeitos não são muitos. Além de um enredo interessante, que não deixa distrair com o romance dos protagonistas, com ótimos diálogos, temos atuações fantásticas. Até Cameron Diaz fez por merecer (leia-se: Scorsese tirou leite de pedra), Liam Neeson em sua pequena aparição impressiona, e DiCaprio que já provou seu talento e versatilidade não joga fora a oportunidade. Mas o show mesmo é de Day-Lewis, impressionante na pele de Bill, o Açougueiro, uma homem frio, xenofóbico e racista, que a cada olhar revela seu desprezo pelos imigrantes e negros, sarcástico, violento e autoritário.

Quanto à trama, podemos dizer que ele revela uma idéia muito interessante: o sonho americano não existe. Vemos milhares de europeus fugindo da fome do Velho Mundo esperando encontrar paz e prosperidade na América, mas quando chegam só encontrar pobreza, intolerância e violência. Se hoje temos a idéia de que os EUA é um país ótimo para se viver, vemos que nem sempre foi assim, e que os problemas existem mesmo no primeiro mundo. Lá a democracia não funcionava, não passando de hipocrisia, e a liberdade individual de crença passava longe de ser realidade. A política é corrupta e a polícia ineficiente.
A rixa entre gangues é tão grande, temos até uma cena de "bombeiros voluntários" brigando para ver quem apagava o fogo enquanto uma multidão saqueava o prédio em chamas. Além disso tudo o tema da lealdade e da vingança saltam da tela. Vale a pena conferir essa obra cinematográfica.

#ficaadica

sábado, 6 de outubro de 2012

Moulin rouge - Amor em vermelho (Moulin Rouge!) - 2001; charmoso, porém frio-morno

Moulin Rouge - Amor em vermelho (Moulin Rouge!), lançado em 2001.
Um filme de Baz Luhrmann.
Pelo visto sou um dos poucos que não gostaram muito de Moulin Rouge. O Instituto Americano de cinema elegeu-o como o 25º melhor musical norte-americano de sempre; o filme levou um Globo de Ouro na categorial de melhor filme comédia/musical; foi indicado à Palma de Ouro no festival de Cannes e ao Oscar.

O musical tem seu charme, sem dúvida. Possui cenas memoráveis e uma variação extremamente rápida de ângulos de imagem em cada cena. O enorme problema - ao menos para mim - é que além de ser extremamente artificial - beirando, muitas vezes, o surrealismo - e muito meloso, as canções são um porre, soam infantis. Não é jazz! Musical sem Jazz tem tudo para dar errado. Sem dúvida um filme que agrada muito mais a um adolescente que a um adulto (mas prefiro mil vezes Moulin Rouge! que High School Musical, aquilo lá sim é o fim).

O filme se ambienta na Paris de 1900. Um escritor ingênuo e romântico acaba se apaixonando pela estrela do cabaré Moulin Rouge, a dançarina Satine, que tem tuberculose e não sabe. No início ela desdenha, mas depois o compra, e juntos vivem um amor em segredo, às escondidas do duque noivo da dançarina. Eles começam todos a trabalhar numa peça de teatro (escrita pelo referido escritor e protagonizado pela citada dançarina) que é patrocinada pelo duque, que é obcecado por Satine. Eles precisam se separar, do contrário o escritor pode ser assassinado e o show cancelado.

Vários musicais usam os cabarés antigos ou ambientes relacionados à arte como cenário, como Chicago, Cabaret e Nine.
Mas os outros passam a sensualidade e a boêmia do ambiente ao espectador, enquanto Moulin Rouge é tediosamente bem comportado; tem um protagonista chato pra caramba (tentei, mas não consegui simpatizar com o personagem de Ewan McGregor com cara de bobo que acredita na idealização do amor); tem um humor ao estilo Renato Aragão (leia-se: sem graça nenhuma)  e, vejamos só, tem fadas e a lua cantando músicas que, repito, são um porre.

As canções são trechos ou paródias de músicas populares, brilhantemente estragadas com vozes gritadas e artificiais (como tudo no filme): Your Song, do Elton John; The Show Must Go On, do Queen; Nature Boy, de Nat King Cole e Like a Virgin, da Madonna, são algumas das músicas que entraram no filme, que inclui ainda regravações de sucessos de Whitney Houston, Nirvana, The Police, Beatles, Phil Collins etc.

Como disse, não gostei (mas também não é a pior coisa que já vi), mas fez muito sucesso. Se quiser se arriscar, é possível que você leitor venha a gostar (depois conte-nos nos comentários).

#ficaadica

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Iris (idem) - 2001; o amor de uma vida e um retrato do Alzheimer

Iris (Iris), lançado em 2001.
Um filme de Richard Eyre.
Três exímias interpretações, a de Jim Boadbent, que rendeu-lhe um Oscar, a de Judi Dench e Kate Winslet, indicadas.

Iris retrata parte da vida de escritora Iris Murdoch, precisamente o fim de sua vida, quando começam a aparecer os primeiros sinais de Alzheimer, que veio a matá-la, e sua relação com o marido John Bayley. Mas um aspecto importante, é que todo o filme é recheado de flash-backs da juventude de ambos, mostrando o inicio de seu relacionamento, do amor que nunca se apagou. Muitas cenas se confundem nesse aspecto, está alí na tela um rosto velho que rejuvenesce; assim como uma cenas deja vú, mostrando o passado dela e que está a se repetir. Palavras da escritora são brilhantemente repetidas por Winslet e Dench, tornando o filme sentimentalista e convidando à um pensar sobre o amor e a vida.

Além do poético amor que dura toda a vida, o filme revela o amargo drama do Alzheimer no doente e em sua família e amigos. Uma boa escolha para quem quer saber mais sobre a doença no cotidiano da família.

É muito bonito o filme, e contém cenas lindas, como a primeira, que mostra pessoas nuas mergulhando num rio de águas turvas e azuis.

A trilha sonora é de James Horner, que parece nunca ter feito trabalho ruim.

#ficaadica