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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Curta-metragem: Ilha das Flores - 1989; ácidas verdades

Ilha das Flores (Ilha das Flores), lançado em 1989.
Um documentário de Jorge Furtado.
Ás vezes rimos de coisas que na verdade eram para chorar. E este brilhante documentário brasileiro é um desses casos que parecem de rir e afinal não o são. Não estou acusando o diretor de insensibilidade, muito pelo contrário.
O filme mostra uma dura realidade, bem visceral, mas de modo irônico, crítico; nunca debochado. São aquelas verdades que nos são jogadas na cara e então rimos de nossa própria ignorância e desumana insensibilidade, não a do diretor e roteirista, que repito, fez um trabalho maravilhoso.

O curta, basicamente, acompanha a trajetória de um tomate, desde a sua produção até o consumo e o descarte. E faz isso de uma forma não linear e didática, como que dizendo que tudo o que estamos vendo são coisas que nós, apesar de julgarmos o contrário, ainda não aprendemos de verdade. O maior exemplo disso é sempre repetir que alguém ou um grupo de pessoas são seres humanos, antes de qualquer outra coisa.

Mais que qualquer coisa uma sátira inteligente, divertida - apesar de ser para chorar determinadas cenas -, e ácida ao modelo capitalista da sociedade em que vivemos, a gritante desigualdade entre as pessoas, e o nosso individualismo (ou seria egoísmo), que não nos permite ver além de nosso nariz, ver o sofrimento de outros seres humanos. 

Recomendo muito que você tire menos de 15 min para assistir a essa película.



Por favor, qualquer problema no vídeo (fora do "ar"; deletado), avise-nos nos comentários.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O homem que copiava - 2003; original e divertido

O homem que copiava (O homem que copiava), lançado em 2003.
Um filme de Jorge Furtado.
Às vezes o cinema nacional se reinventa e nos presenteia. O gaúcho Jorge Furtado mistura drama, thriller e comédia romântica em O homem que copiava, de um modo inovador e que dá certo. E mesmo fazendo referência a obras como Janela Indiscreta, ou lembrar um pouco histórias como a de Prenda-me se for capaz, em nenhum momento deixa de ser único.

Estamos em Porto Alegre no ano de 2003. André (Lázaro Ramos) tem 19 anos; pobre, ele trabalha numa papelaria e é operador de um fotocopiadora, passando o tempo a apertar start e stop e lendo alguns trechos de documentos, reunindo algumas informações aleatórias em sua mente. Apaixonado pela vizinha Sílvia (Leandra Leal) do prédio em frente, que trabalha nua loja de roupas, ele passa o tempo livre em casa a espioná-la com um binóculo. Marinês (Luana Piovani) também trabalha na papelaria e é sempre cortejada pelo malandro Cardoso (Pedro Cardoso). Para se aproximar de Sílvia ele vai até a loja fingindo querer comprar um presente para a mãe, mas precisa de dinheiro para isso e então resolve tirar xerox de uma nota de cinquenta reais. Mas esse primeiro mal-passo leva a outros e ele se mete em muita confusão envolvendo polícia, amigos e organizações criminosas. Seus crimes não se limitam à falsificação.

O diretor consegue prender a atenção do público já no início do filme: numa cena temos André a pechinchar no supermercado, noutra ele aparece queimando dinheiro. André é um personagem interessante, talvez possamos dizer que não se limita a copiar dinheiro e documentos, incapaz de criar suas vida toda parece imitar algo, e essa personalidade nos é mostrada por meio de metáforas e alguns simbolismos. Mas o diferencial mesmo é a narrativa fragmentada e despretensiosa. Temos sempre pensamentos, flash-backs, idéias a entre-cortar o enredo de modo bem natural, divertido, leve.

A verdade é que O homem que copiava é um filme de entretenimento. Divertisíssimo. Ele pode até não ser de uma grande crítica social, e até mostrar bandidos de forma um pouco heróica (o filme não apoia os crimes mas nos mostra que tiveram um motivo para serem cometidos), nem tem a história mais crível do cinema, mas garante sua diversão.

#ficaadica