Um filme coletivo envolvendo mais de vinte diretores, coordenados por Emmanuel Benbihy.
A história da humanidade se confunde com a de Paris, uma cidade milenar carregada de história e diretamente envolvida no que é o mundo hoje, seja na cultura, na economia, na política. Ela foi importante no passado, e ainda hoje é.
Mas como toda e qualquer cidade, ela nada mais é do que as pessoas que lá vivem. São seus habitantes que lhe dão identidade. Além disso a cidade do amor e das luzes não é perfeita. Sendo hoje uma metrópole com mais de dez milhões de habitantes, ela também sofre com a violência, com o transito caótico, com poluição e com medo, desconfiança ou indiferença entre seus habitantes.
Paris, je t'aime é um projeto onde mais de vinte diretores e dezenas de atores, dos quais muitos conhecidos, realizam curtas-metragens independentes que visam humanizar a cidade; levando por terra idealizações e romantismos, mas sem jamais deixar de mostrar sua inarrável beleza, a humanidade de seus habitantes, que xingam, se estressam, mas também se apaixonam e amam Paris. Não se limitando a mostrar o dia a dia de seu povo, também mostra os turistas e suas impressões sobre a cidade, os imigrantes.
Tanto isso é verdade que assim como a cidade é inegavelmente multicultural, também o filme é feito por atores de diretores de diversos países, e além do francês temos espanhol, inglês, árabe e até chinês. Não se prendendo somente a crônicas, temos também histórias absurdas, fantasiosas; inclusive um terror-thash.
São vinte curtas-metragens, ambientados cada um num dos "arrondissements" de Paris, uma divisão administrativa que existe lá. Naturalmente, alguns são melhores que outros. Os que mais gostei foram o do brasileiro Walter Salles, que mostra uma imigrante cruzando toda a cidade para poder ir trabalhar, muito comovente; o dos irmãos Cohen, que mostra um turista em apuros no metrô; Bastilha de Isabel Coixet; a belíssima comédia Tour Eiffel de Sylvain Chomet; Place des Fêtes de Oliver Schmitz; o terror Quartier de la Madeleine; Quartier Latin, uma história madura sobre os relacionamentos e por fim o monólogo 14e arrondissement. Mas vale a pena conferir cada uma das pérolas deste filme, tão diferentes entre si, já que são obras de artistas distintos, mas todos empenhados em mostrar um pouco de Paris.#ficaadica



