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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Uma canção de amor (Le Chant des mariées) - 2008; envolvente e cruel

Uma canção de amor (Le Chant des mariées), lançado em 2008.
Um filme de Karin Albou.
Um bom filme, não há dúvidas.
Abordando temas complexos, como o colonialismo no século XX, e o consequente desejo de independência, anti-semitismo, intolerância, amizade, machismo e nazismo; Uma canção de amor é um retrato cruel da II Guerra e sua interferência nos mais puros sentimentos humanos, como a amizade.

Também é admirável a coragem das atrizes, que constantemente aparecem nuas, chegando a haver uma cena onde a púbis de uma delas é evidenciada durante uma depilação, na preparação para as núpcias.

Estamos em Tunísia, 1942, em meio à II Guerra Mundial. Nour e Myriam, são amigas desde a infância. Nour é islâmica e Miryan é judia. Elas vivem no mesmo prédio em um bairro humilde onde judeus e muçulmanos vivem em harmonia. Cada uma deseja secretamente deseja a vida da outra. Enquanto Nour lamenta não ir à escola como a amiga; Miryam tem sonhos de amor e inveja o noivado de Nour.  
O exército alemão entra na Tunísia. A França nazista impõe duras leis na Tunísia em relação aos judeus. Tita, mãe de Myriam, é proibida de trabalhar. Endividada, ela decide casar sua filha a um médico rico, de quem Miryam não gosta. Enquanto isso o noivo de Nour, que ela ama, começa a trabalhar para os alemães e adquirir e passar o sentimento anti-semita à Nour.

Primeiro este é um filme que desmitifica a imagem de que o Islã é uma religião sangrenta. Pelo contrário, no filme é citado uma passagem interessante do Alcorão, onde diz que cristãos, judeus, sabeus e mulçumanos, se crêem em deus e praticam o bem, nada têm a temer no Último Dia. Tal passagem é suprimida pela propaganda nazi e o sentimento nacionalista tunisiano, que afinal só se envolveram com os alemães após terem a promessa de independência. A cultura machista mulçumana também, como podemos ver, atiçava nas mulheres o descontentamento com judeus, já que as judias eram livres para estudarem e andarem sem burcas ou véus. Mas tudo isso não destrói de todo a amizade entre as duas meninas.

Um filme para se inspirar. E para estudar história e cultura oriental.

#ficaadica