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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pearl Harbor (idem) - 2001; melodramático e infeliz

Pearl Harbor (Pearl Harbor), lançado em 2001.
Um filme de Michael Bay.
Vi este filme ontem, e decepcionei-me. Apesar de ser um filme ruim - embora não de todo - acho que Michael Bay ainda foi mais feliz com Pearl Harbor do que com o desprezível Armageddon. Enquanto naquele não consigo me lembrar de uma única cena boa, neste daqui temos uma fita de cerca de 180 minutos, dos quais uns 50 valem um pouco a pena e o restante é uma chatice que deveria ter sido comprimido em meia hora, no máximo.
Mas em um momento do filme eu disse para mim mesmo: isto aí está tentando imitar Titanic, mais tarde vim a saber que isto não era um devaneio, e muitos outros críticos pensaram o mesmo. Michael Bay mistura a tragédia e horror com romance e outras distrações e abusa de uma trilha sonora, que valeria a pena ser ouvida num disco mas que não se encaixa na película, James Cameron fez algo bem parecido, a diferença é que Titanic deu totalmente certo e originou um grande filme, enquanto Pearl Harbor afunda na lama como afundou o Arizona no mar.

Rafe (Ben Affleck horriiiiiível no papel) e Danny (Josh Hartnett) são amigos desde infância e possuem uma paixão por pilotar aviões. E entram nas forças armadas como pilotos durante a II Guerra, em 1941, quando ainda os EUA não haviam entrado oficialmente no conflito. Rafe vai para a Inglaterra, sofre um acidente e supostamente morre (mas toda a gente sabe que não morreu). O problema é que antes de partir ele se apaixonou por uma enfermeira chamada Evelin (Kate Beckinsale) e viveu um romance com ela. Meses de luto se passam na vida de Danny e Evelin, até que começam um romance. Mas um belo dia Rafe volta e encrenca ao saber do romance. Pronto, está armado o triângulo amoroso sobre qual fala o filme. E estão os três na base militar de Pearl Harbor, no Havaí, que todos sabemos que foi atacado pelos japoneses e serviu para colocar os americanos na guerra. E inicia o ataque e Rafe e Danny precisam voar juntos e combater o inimigo.

O filme possui uma sequência de ação espetacular, no momento em que inicia o ataque japonês, com incríveis efeitos especiais e sonoros, tiros, explosões, quedas, sangue. São cenas tristes, mas divertidas (se é que posso usar o termo) e chocantes, o que se espera de um filme de guerra. 
Porém temos mais de uma hora só para acompanharmos o início do relacionamento entre Rafe e Evelin, totalmente insosso e carregados de clichés e diálogos fúteis. Se não bastasse, ainda inserem várias piadas no roteiro. E não me lembro de nesse meio tempo ter parado de tocar alguma música ao fundo, sem dúvida uma trilha muito mal utilizada, usada em excesso. As músicas eram boas mas me irritavam, é até difícil explicar o problema com a trilha sonora, mas em suma foi mal utilizada.

Na verdade é uma obra banal sobre um triângulo amoroso, e o melodrama acerca disso não é pouco. Até Cuba Gooding Jr. faz uma pontinha e como uma distração interpreta um soldado negro que sofre preconceitos. Quase não vemos japoneses num ataque deles próprios, e os fatos históricos foram, mais uma vez, modificados.
Rafe, além de ser uma personagem antipático e ao estilo "eu sou o cara", ainda sofre com o trabalho de Affleck, que definitivamente não incorporou o papel. Já Evelin é estranhamente sensual e "boa menina" ao mesmo tempo (todas as enfermeiras, estranhamente, são bonitas e magras). Mas talvez seja uma das verdadeiras heroínas da trama, fazendo o que pode para ajudar os feridos. Uma pena que as cenas no hospital foram 'embaçadas' e não mostraram o verdadeiro horror e sofrimento da batalha, seria cenas interessantes. Mas o diretor e o fotógrafo não quiseram deixar o filme "pesado".

E quanto à semelhança com Titanic, saibam que temos cenas de naufrágio e depois fotografias do navio no fundo do mar, enferrujado e enlodado. Preciso dizer mais?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Aviador (The Aviator) - 2004; a vida de um homem famoso e polêmico

O Aviador (The Aviator), lançado em 2004.
Um filme de Martin Scorsese.
Mais um belíssimo trabalho de Martin Scorsese, desta vez estrelando Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett e John C. Reilly, narrando a vida do bilionário, excêntrico e brilhante Howard Hughes.
Scorsese peca no tamanho do filme, longas 2h e 40min, e várias cenas com sequência um pouco confusa, tornando-o mais difícil do que deveria ser uma produção como essa. Porém ele reproduz muito bem o período e o cenário de época com seus efeitos de filmagem e nos leva a uma viagem no tempo de maneira rápida e divertida, acompanhando os sonhos e os feitos de um gênio ambicioso, corajoso e insano.
Estamos em Los Angeles, 1927, e Howard Hughes (DiCaprio), um jovem milionário está a produzir um filme de guerra, o mais caro da história do cinema até então. Mesmo beirando a uma quebra por excesso de gastos, este perfeccionista diretor investe tudo em cenas reais e refilma todo o trabalho após ver a chegado do cinema falado; após longo perído de produção e polêmicas o filme é lançado e ele se torna uma celebridade. Se envolve com a atriz Katharine Hepburn (Blanchett). Mas sua verdadeira paixão é a aviação, por isso adquire a maior parte do que viria a ser a Trans World Airlines. Rapidamente a empresa cresce e produz os aviões mais rápidos do planeta. Seu sucesso começa a incomodar o líder de outra empresa aérea que faz negociações com um senador para adquirir o monopólio sobre vôos internacionais e impedir o avanço de Hughes. O governo encomenda aeronaves para serem usadas na II Guerra, mas os protótipos só ficam prontos após o termino do conflito, então é processado. Isto quando sua doença se agrava e ele quer ficar sozinho em seu quarto, livre dos germes e sofre um grave acidente.

Howard não é homem de temer a falência, arrisca tudo que tem em seus projetos, sejam eles cinematográficos ou aeronáuticos, vence um processo judicial movido por um senador, se envolve com as mais belas mulheres, se recupera após quase morrer e depois de tanta glória cai na escuridão. Enriquece ainda mais, porém sua doença mental, transtorno compulsivo-obsessivo, o leva a um fim solitário, triste e doloroso que ele próprio trilhou aos poucos. Vale a pena conhecer esta história.
#ficaadica