Um filme de Tom Tykwer.
O diretor alemão Tom Tykwer já nos foi apresentado com Perfume, mas se naquele filme ele usa toda sua capacidade para criar um cenário obscuro e podre, transformando o filme de época num thriller sombrio, em Lola rennt temos uma ficção alucinante e bastante contemporânea, ambientado na época de sua filmagem e trazendo como protagonista uma verdadeira personificação da rebeldia.
Lola é a espirituosa filha de um banqueiro. Seu cabelo é escandalosamente vermelho e seu namorado é um coletor de dinheiro de uma gangue de contrabandistas. Um dia o rapaz recebe o trabalho de receber cem mil marcos e levar o dinheiro até seu chefe, mas ele acaba deixando a sacola no metrô e um mendigo leva o dinheiro. Desesperado, sentindo que será morto pelo patrão caso não resgate a grana, ele telefona à Lola e pede ajuda. Ela tem então 20 minutos para tentar arrumar o dinheiro com o pai, antes que o namorado agrave a situação assaltando uma loja. Literalmente ela corre.
Corra Lola, corra é um filme juvenil. Não só pela protagonista, jovem, rebelde e inconsequente. Tudo nele, desde a trilha sonora constantemente e frenética, até as animações, os efeitos especiais, a fotografia colorida, os closes e ângulos extravagantes. Lembra um pouco as produções televisivas da MTV (não sei se isso é bom ou ruim). Mas é um filme criativo e um tanto inovador.
O filme tem nítidos contornos surrealistas, até porque muita coisa nele é absurdo, fantasioso. Desde os gritos até a corrida longa (como a garota tem fôlego!) pela cidade quase deserta. Com a repetição do que foi, ou que poderia ter sido, presenciamos três finais distintos. Eles mudam por pequenas coisas, um passo mais rápido pode mudar a história de quem corre e de quem esbarra com o corredor. Uma teoria bastante plausível acerca do poder do tempo. É o que faz o enredo medíocre se tornar um filme tão interessante. A trama varia do drama à comédia, passando por doses de adrenalina.Corra Lola, corra é divertido, é inventivo, é jovem e é rápido.
#ficaadica

