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sábado, 25 de outubro de 2014

Santos e Demônios (A Guide to Recognizing Your Saints) - 2006; partir; voltar

Santos e Demônios (A Guide to Recognizing Your Saints), lançado em 2006.
Um filme de Dito Montiel.
Autobiografia e estreia como cineasta do escritor Dito Montieli, Santos e Demônios acompanha a juventude de um grupo de rapazes num bairro problemático de Nova York dos anos 80. Os conflitos destes jovens entre si e suas famílias leva um deles, o próprio Dito, a fugir para a Califórnia. Depois de vários anos longe de casa, após saber da debilidade de seu pai, Dito volta e precisa enfrentar seu passado.

Montiel, para um iniciante, surpreende positivamente. Ele consegue levar sua obra adiante com um ar de melancolia e remorso. Com tomadas curtas, câmera na mão e fotografia acastanhada ele recria todo o ambiente e o contexto cultural e social de um bairro do Queens. Eram tempos e lugares de descrença, de desesperança. De violência, de drogas, de racismo, de xenofobia.

Dito é o garoto deslocado. É o Shia LaBeouf que sente que não pertence ao lugar. Sonha com uma vida melhor enquanto presencia seus amigos sucumbirem em sua volta e amarga a relação vazia e sem diálogo com seu pai omisso. Ele sabe que precisa tomar novos caminhos, não há perspectivas otimistas se permanecer ali. 
No fundo todos aqueles jovens desejam o mesmo, mas não é fácil partir.

Neste ponto o filme nos convida a refletir sobre a formação do indivíduo. O ser humano é fruto do ambiente em que vive. E se muda de ambiente, ainda assim permanece como parte do anterior, sobretudo do lugar em que viveu a adolescência, o período mais influente na construção da personalidade. Assim, nós somos uma parte do que vivemos: do local e das outras pessoas que passaram por nossas vidas. Pertencemos a pessoas e lugares. Por isso é tão difícil partir; mesmo quando se odeia a realidade e se anseia por uma melhor - caso de Dito. O escritor e cineasta visita o passado para estudar suas antigas amizades, sua relação familiar (sobretudo com o pai) e os laços que o ligam a eles.

Quando seguiu sua vida e deixou tudo para trás, Dito fez o que nem todos temos coragem de fazer. Deixou mágoas e pendências, se magoou. Sente que poderia ter feito algumas coisas de forma diferente. Por isso quando volta já adulto (Robert Downey Jr.) e bem sucedido, vem cheio de inquietações e de desejo de ser aceito novamente. Essa culpa também sente o Dito diretor. O filme é coberto por uma névoa de tristeza e remorso. O enredo que ele escreveu e filmou pode até parecer meio simplista e egocêntrico, mas que ele sabe destilar emoções, isso ele sabe.