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domingo, 5 de maio de 2013

Borat (...) (idem) - 2006; humor negro e crítico

 Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan), lançado em 2006.
Um filme de Larry Charles.
A sociedade ocidental sempre teve de suas hipocrisias. E uma delas é o uso do "politicamente correto". Não se admite falar ou mostrar a realidade. E nos Estados Unidos, um país puritano, onde as pessoas se sentem os melhores seres humanos da terra, o moralismo conservador é ainda maior que em países como Brasil. Lá também é pior o racismo, a xenofobia, a homofobia, o anti semitismo e outras coisas da qual não se deve orgulhar. Isso porque são o país mais moderno e democrático do mundo...

E Sasha Baron Cohen é um ator e roteirista meio sem noção que faz um humor mais cru, mais visceral, que rompe com o padrão do bonitinho e sem palavrão. Claro que isso gera polêmicas. Mas no caso de Borat para nossa alegria e para vergonha dos EUA, o filme usa do humor afiado para mostrar as feridas da sociedade norte-americana. E para melhorar a experiência, assim como em Brüno, temos um pseudo-documentário. Cohen, na pele de um personagem seu da televisão, sai pelo país fazendo as pessoas acreditarem que o personagem é real e aos poucos mostrarem seus podres. Logo, em Borat, a maior parte das cenas são reais, feitas na improvisação, sem um roteiro a seguir. E Cohen impressiona pela capacidade de fingir e de não começar a rir durante as cenas.

Borat Sagdiyev é um repórter casaquistanês - cuja mãe, de 43 anos, é a habitante mais velha de sua cidade natal, e que tem uma irmã que possui o troféu de a 4ª prostituta do páis - que a mando do governo viaja para os Estados Unidos com o objetivo de fazer um documentário, que servirá para mostrar ao país a receita de sucesso dos EUA, e seguí-la a fim de engrandecer o Casaquistão. Chegando ao país ele se apaixona por Pamela Anderson, que viu na TV, e inicia uma viajem cruzando o país para encontrá-la. No caminho vai conhecendo pessoas e escandalizando-as com seu comportamento primitivo.

Carismático, Borat prende a atenção do espectador do começo ao fim, sempre com uma piada ou cena mais engraçada que a anterior, e é um humor afiado e politicamente incorreto que aos poucos revela os problemas da sociedade. Isso é nítido em conversas como a com os estudantes do trailler e com o organizador do rodeio: suas declarações são carregadas dos mais variados preconceitos. Ainda nesse ponto é nítido o problema do choque de culturas (a cena no metrô e no jantar com os ricos explicita isso).

Cohen tem muita coragem e cara de pau (vide cena com Pamela Anderson), e seu personagem é ingênuo e pouco civilizado. Por exemplo, Borat detesta gays, mas é incapaz de reconhecer um, e sem perceber se envolve em variadas situações homossexuais. Ele ainda não sabe usar o vaso sanitário, e acha que pêlos pubianos é item de valor, serve como dinheiro.
Mas sem dúvida a cena mais épica, na certa uma das mais engraçadas da história do cinema, é sua briga com o produtor. Assista e entenda.

#ficaadica