Drama Comédia Animação Suspense Romance Curta-metragem Faroeste Fantasia Ação Aventura Musical Ficção Guerra Épico Crime Terror
Mostrando postagens com marcador Chris Penn. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chris Penn. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) - 1992; a estréia de Tarantino

Cães de Aluguel (Reservoir Dogs), lançado em 1992.
Um filme de Quentin Tarantino.
Se Soderbergh levou nome e reconhecimento ao cinema independente quando em 1989 lançou Sexo, mentiras e videotape, esta vertente do cinema teve sua mais significativa consagração com Pulp Fiction - Tempo de Violência em 1994. Só que dois anos antes Tarantino já havia assinado o roteiro e dirigido Cães de Aluguel, que tendo passado um tanto quanto despercebido na sua época, ganhou o merecido destaque, embalado pela fama de seu sucessor. 

Oito homens conversam e riem num café, eles não sabem os nomes uns dos outros, se comunicam por pseudônimos. Logo depois um deles está sangrando como um porco, levado no banco de trás de um carro em alta velocidade. Mais tarde os dois se unem a um dos oito homens iniciais, que diz que há um delator na gangue. O paradeiro dos outros homens é desconhecido, o clima é tenso e a polícia poderá chegar a qualquer momento.

Quase tudo o que Tarantino tem de bom já estava presente na sua estréia: a violência vista com cinismo e/ou como poesia, mas sem jamais exaltá-la como virtude, apenas como algo "natural"; o humor negro, afiado e obsceno, personagens espirituosos, referências à cultura pop e narrativa não linear, com um enredo peculiar, imprevisível e sangrento.
O roteiro desta obra é muito interessante, a começar pela premissa não estar no filme. Falamos sobre um assalto que nunca vimos, apenas suas causas e consequências nos são mostradas; por meio de flash-backs e saltos no tempo. Tarantino conduz isso de forma ágil, sem rodeios desnecessários, prendendo a atenção do público. Os diálogos então... vivos, sarcásticos, espirituosos. Como eu gostaria de escrever diálogos assim.

Nesse ponto entra a questão do elenco (inclusive Tarantino atua num papel secundário), que está extremamente competente. Conduzem seus papéis com equilíbrio e temperança. A fotografia é bastante comum, exceto nos planos distantes, que confirmam a idéia do cinismo, da indiferença, mas não deixa a desejar hora alguma.

Confira a entrada triunfal de uma carreira brilhante. #ficaadica

domingo, 14 de julho de 2013

Amor à Queima-Roupa (True Romance) - 1993; a elegante violência de Tarantino

Amor à Queima-Roupa (True Romance), lançado em 1993.
Um filme de Tony Scott.
Por mais paradoxal que isso soe, Tarantino é conhecido por abordar a violência de modo "elegante", estilizado. Sim, nas suas mãos sangue jorrando não parece banal ou absurdo, é como se existisse uma certa indiferença irônica, como se o espectador olhasse para aquilo com um ar de superioridade. 
True Romance não é um filme seu, ele apenas assinou o roteiro, cuja venda serviu para que ele iniciasse sua trajetória de sucesso com Cães de aluguel. Mas mesmo sem dirigir, seu toque de humor negro no roteiro foi capaz de deixar o filme com bastante de seu estilo. Quem filmou foi Tony Scott, diretor de Top Gun - Ases Indomáveis, que acabou estragando um pouco o roteiro de Tarantino, ao filmar uma produção mais voltada ao sucesso comercial.

Alabama (Patricia Arquette) é uma jovem e simpática prostituta (um tanto ingênua) contratada pelo chefe de Clarence (Christian Slater) para que ela passasse uma noite com ele. Mas depois de fazerem sexo os dois se apaixonam e no dia seguinte se casam. Clarence é fã de Elvis Presley, e tem uma visão imaginária do seu ídolo orientando-o a matar o cafetão que intermediava Alabama. Ele segue o conselho e depois de levar uma surra consegue matar o homem. Na fuga, às pressas, ele leva uma mala que acredita estar cheia das roupas da esposa, mas na verdade é uma maleta com um quantia enorme de drogas. Eles viajam para Los Angeles para vender a droga, mas a máfia italiana está os procurando.

True Romance é um filme tolo; deliciosamente estúpido. No primeiro ato temos vários clichés que aos poucos forma algo que mais se parece com uma daquelas comédias românticas batidas. Mas está aí um acerto. Os clichés são propositais, estão lá para aumentar a carga de humor negro. Pombinhos apaixonados perdidamente, como Romeu e Julieta, mas que transam à beira da rodovia, com toda a gente a vê-los, e que têm as mãos sujas de sangue e muito dinheiro em drogas no porta-malas. A ironia está também noutros aspectos (quase sempre), a fotografia é clara e alegre e a trilha sonora divertida mesmo nas cenas mais violentas e trágicas.

O filme é engraçado e sangrento, e um elenco competente, que inclui super famosos que na época estavam em início de carreira, contribui para elevá-lo a outro patamar (como Brad Pitt na pele de um drogado inútil). Não é um filme perfeito, mas bastante gratificante e divertido.

#ficaadica